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O que é escuta ativa e como aplicá-la na construção de relações saudáveis e produtivas.

  • Marcia Amorim
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente – Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation – ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria – Grupo Adecco. Women Corporate Directors – WCD Member.

 


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A escuta ativa tem sido reconhecida como uma competência central na vida profissional contemporânea, especialmente em ambientes que dependem de decisões colegiadas, convivência intergeracional e interação entre profissionais, como ocorre em todas as organizações. Escutar ativamente significa oferecer presença plena ao interlocutor, compreender não apenas o conteúdo do discurso, mas as emoções e intenções que o acompanham. Essa forma qualificada de escuta cria um espaço de confiança que sustenta relações maduras e conversas capazes de produzir clareza, alinhamento e cooperação genuína. Estudos publicados pela Harvard Business Review reforçam que a escuta ativa fortalece a qualidade das decisões e a eficácia das equipes, uma vez que reduz interpretações precipitadas e favorece a compreensão compartilhada dos problemas.

Essa habilidade exige disciplina emocional e disponibilidade interna, pois se constrói a partir da suspensão temporária de respostas automáticas. É o contrário de ouvir para responder; trata-se de ouvir para compreender. Pesquisas da McKinsey mostram que líderes que constroem ambientes psicologicamente seguros não apenas comunicam bem, mas escutam com atenção, demonstrando curiosidade, empatia e abertura. Essa postura reduz a ansiedade das equipes, eleva o engajamento e favorece a troca de ideias sem medo de exposição.

A escuta ativa também se expressa pela capacidade de perceber os elementos não ditos. A Fundação Dom Cabral ressalta que grande parte das informações relevantes para o relacionamento e para o desempenho circula nas entrelinhas, manifestando-se por entonação, hesitações, silêncios e linguagem corporal. Quando o líder ou o profissional desenvolve essa sensibilidade, passa a reconhecer sinais antecipados de desalinhamento, exaustão, insegurança ou desconforto, podendo intervir de maneira preventiva. Esse cuidado aumenta a confiança e contribui para a construção de uma cultura organizacional mais transparente e saudável.

Entre as características de uma escuta verdadeiramente ativa, destaca-se a intenção genuína de compreender o outro. Essa intenção se revela pela qualidade das perguntas, pela pausa que permite elaboração, pelo interesse em confirmar percepções e pela ausência de julgamentos imediatos. A Deloitte, em estudos sobre liderança humana, aponta que escutas apressadas — aquelas em que o interlocutor já prepara sua resposta enquanto o outro fala — constituem uma das principais causas de falhas de comunicação. Em contrapartida, escutas que privilegiam presença e paciência estimulam conversas produtivas e tornam o ambiente mais colaborativo. Quando as pessoas percebem que suas ideias são ouvidas e valorizadas, sentem-se mais inclinadas a compartilhar visões, assumir responsabilidades e participar ativamente das soluções.

Em qualquer carreira, a escuta ativa se torna um diferencial que acompanha o profissional em todas as etapas de sua trajetória. Ela amplia a percepção sobre o ambiente, fortalece relacionamentos, aprimora a capacidade de negociação e contribui para a reputação de maturidade e equilíbrio emocional. Profissionais que escutam bem são percebidos como confiáveis, ponderados e capazes de construir pontes, qualidades essenciais para líderes e especialistas que operam em organizações cada vez mais colaborativas, diversas e complexas. O Fórum Econômico Mundial inclui a escuta ativa entre as competências socioemocionais críticas para o futuro do trabalho, destacando que, em um cenário permeado por tecnologia, automação e inteligência artificial, habilidades humanas sofisticadas serão decisivas para diferenciar carreiras.

A prática contínua da escuta ativa orienta conversas mais profundas, decisões mais fundamentadas e relações mais consistentes. Quando aplicada com intenção e autenticidade, transforma a comunicação em um instrumento de desenvolvimento mútuo, fortalece a colaboração e enriquece a forma como líderes e equipes se conectam.



Referências

Harvard Business Review – The Power of Listening, 2021.

McKinsey & Company – Psychological Safety and High-Performing Teams, 2023.

Deloitte – Human-Centered Leadership, 2023.

Fundação Dom Cabral – Pesquisas sobre comportamento organizacional e liderança.

Fórum Econômico Mundial – Future of Jobs Report, 2023.

SpecialtyCare – Active Listening Insights, publicações recentes.

Center for Creative Leadership (CCL) – Active Listening: Using Listening Skills to Coach Others.



 
 
 

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