Sua comunicação é estratégica?
- Marcia Amorim
- 30 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente - Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation - ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria - Grupo Adecco. WCD - Women Corporate Member.

Toda organização é, essencialmente, uma rede de conversas. É nelas que se alinham intenções, se negociam interdependências, se compartilham evidências e se constroem compromissos. Comunicação estratégica é o nome que damos ao conjunto de conversas deliberadas, orientadas por propósito e por resultados, que conectam pessoas, prioridades e recursos de modo consistente ao longo do tempo. Diferentemente da comunicação do dia a dia, que tende a ser reativa, transacional e dirigida à troca pontual de informações, a comunicação estratégica é planejada, contextualizada e mensurada; ela organiza mensagens, considera mapas de stakeholders, define canais e cadências, e estabelece métricas de entendimento e de adesão. Quando praticada de forma disciplinada, converte relacionamentos em parcerias produtivas, gera previsibilidade de execução e reduz custos invisíveis de desalinhamento.
No coração desse processo está a construção de sentido compartilhado. Parcerias florescem quando as partes compreendem não apenas o que fazer, mas por que fazer, com quais critérios de sucesso e quais concessões são aceitáveis. Estudos de consultorias como Deloitte e McKinsey mostram que clareza de propósito e narrativa coerente aumentam o engajamento e a velocidade de decisão, especialmente em estruturas matriciais e times multifuncionais. A comunicação estratégica articula um fio condutor entre estratégia, prioridades trimestrais e rotinas de execução; ela traduz escolhas em mensagens simples, repetidas de formas diversas e sustentadas por dados, o que reduz ambiguidade e facilita pactos entre áreas com incentivos distintos.
A eficácia começa pela preparação. Antes de falar, mapeiam-se audiências, interesses, poder de influência e possíveis resistências; escolhem-se evidências, histórias e metáforas que tornem a mensagem memorável; definem-se canais, ritmos e responsáveis. Ferramentas consagradas ajudam a dar forma a essa preparação: o princípio da pirâmide de Barbara Minto favorece mensagens que partem da conclusão e organizam os argumentos em blocos lógicos; a escuta empática proposta por Marshall Rosenberg melhora a leitura das necessidades por trás das posições; os ensinamentos de John Kotter lembram que mudar comportamentos exige comunicar a visão de maneira clara, consistente e por múltiplos meios. Assim, a comunicação deixa de ser improviso e torna-se arquitetura, reduzindo ruídos típicos de ambientes complexos.
Na prática, comunicar estrategicamente é transformar interações em acordos operacionais. Reuniões passam a ter objetivos explícitos, premissas compartilhadas e decisões registradas; mensagens chave são reforçadas por dados e exemplos; expectativas de prazo, qualidade e interdependências são negociadas abertamente; discordâncias são tratadas como matéria-prima de aprendizado. Quando esse padrão se torna hábito, as relações evoluem de trocas individuais para pactos entre áreas, e a confiança se converte em capital social disponível para momentos de tensão. O resultado é um ciclo virtuoso no qual transparência gera colaboração, colaboração acelera entregas e entregas reforçam a confiança.
Há, ainda, um componente de mensuração que diferencia a comunicação estratégica da conversação cotidiana. Não basta emitir mensagens; é preciso verificar compreensão, adesão e efeito sobre comportamento. Indicadores simples como taxa de participação, qualidade das decisões, retrabalho evitado e tempo de ciclo ajudam a aferir se os rituais de comunicação estão gerando resultado. Ajustes finos, como trocar o canal para determinado público, adaptar a linguagem para especialistas ou reforçar a narrativa com dados de mercado, mantêm o sistema vivo e aderente às necessidades do negócio.
Por fim, parcerias produtivas dependem de uma cultura na qual líderes comunicam com presença, coerência e serviço. Isso significa simplificar o complexo sem infantilizar, dar contexto antes de cobrar, reconhecer dúvidas como sinais de cuidado, e proteger tempo para conversas difíceis. Em ambientes assim, a comunicação deixa de ser um custo invisível e passa a ser um ativo estratégico que integra estratégia, pessoas e execução. A diferença em relação à comunicação do dia a dia, portanto, está no grau de intencionalidade, de design e de accountability: não se trata de falar mais, mas de falar melhor, com propósito, método e mensuração.
Referências:
· Deloitte. Human Capital Trends 2024.
· McKinsey & Company. The State of Organizations 2023.
· Harvard Business Review. Deborah Tannen, “The Power of Talk: Who Gets Heard and Why”, 1995.
· Barbara Minto. The Pyramid Principle: Logic in Writing and Thinking, 2010.
· Marshall B. Rosenberg. Nonviolent Communication: A Language of Life, 2003.
· John P. Kotter. Leading Change, 1996.
· Fundação Dom Cabral. Publicações sobre liderança e comunicação organizacional (acesso em 2025).
· ABRH Brasil. Materiais de referência em comunicação e gestão de pessoas (acesso em 2025).
Este artigo contou com o suporte do ChatGPT (modelo GPT-5, OpenAI) para aprimoramento de linguagem e clareza. As ideias e o conteúdo resultante são de autoria e responsabilidade exclusiva de Marcia Amorim.



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