Sua carreira está em extinção?
- Marcia Amorim
- 25 de out. de 2025
- 4 min de leitura

O mercado de trabalho atravessa uma fase de mudanças aceleradas — as mesmas que colocam algumas carreiras tradicionais sob risco de obsolescência enquanto criam cenários inéditos para profissões emergentes. A habilidade de antecipar esses movimentos torna-se fator de diferenciação para profissionais, gestores e organizações. De um lado, observam-se setores em retração, pressionados pela automação, pela digitalização e pela substituição de processos convencionais por soluções tecnológicas mais ágeis e acessíveis. Indústrias baseadas em tarefas repetitivas, como manufatura tradicional, teleatendimento, operações bancárias e funções administrativas padronizadas, vêm encolhendo em ritmo constante. Essas atividades sofrem os impactos diretos da chamada disrupção tecnológica — fenômeno que rompe modelos de negócio consolidados e altera profundamente cadeias de valor inteiras. Ao mesmo tempo, há setores em reinvenção ou reposicionamento, que transformam o modo de operar ao incorporar inovação como eixo estratégico. O varejo digital, o agronegócio inteligente, a saúde conectada, os serviços financeiros digitais (fintechs) e a educação on-line são exemplos de segmentos que não desapareceram, mas estão redefinindo suas fronteiras. Em vez de resistirem à mudança, buscam reinventar-se para atender novas demandas, integrando dados, tecnologia e propósito. É nesse movimento — entre retração e reinvenção — que se revela o verdadeiro impacto da disrupção no trabalho humano: a substituição de funções não significa o fim do emprego, mas sim a criação de novas possibilidades para quem está disposto a aprender, adaptar-se e inovar. No Brasil, embora o mercado formal tenha atingido em 2024 a menor taxa média de desemprego desde 2012, observa-se que o ritmo de novas contratações começa a desacelerar — sinal de um mercado que exige atualização constante de competências para permanecer competitivo. Mas se algumas carreiras se reduzem, outras ganham fôlego. A transição energética, o avanço da inteligência artificial (IA), a economia de dados, os serviços especializados e o trabalho remoto/globalizado são vetores de criação de novas oportunidades. Um estudo global de recrutamento aponta que em 2025 o mercado estará marcado por “hire smart, not roles” (contrate inteligentemente, não apenas funções) — investindo em habilidades adaptativas, fluência digital e mobilidade internacional. Nesse contexto, dois conceitos ganham protagonismo: reskilling (requalificação) e upskilling (aperfeiçoamento). Reskilling é o processo de aprender novas habilidades para mudar de área ou função — uma estratégia vital para quem atua em carreiras em declínio e precisa migrar para novos setores. Já o upskilling refere-se ao aprimoramento dentro da própria área, ampliando o domínio técnico, digital e comportamental para manter a relevância profissional. Relatórios do Fórum Econômico Mundial e da McKinsey apontam que organizações que investem sistematicamente em requalificação reduzem o turnover, aumentam o engajamento e fortalecem sua vantagem competitiva. Para os profissionais, essas práticas se traduzem em empregabilidade sustentável e em autonomia sobre o próprio futuro.Para líderes de todos os níveis e profissionais em geral que desejam assumir o protagonismo de suas próprias carreiras, três reflexões merecem atenção. Primeiro, identifique as carreiras vulneráveis. Funções com forte componente repetitivo ou baixo valor agregado tendem a sofrer compressão de demanda. Isso exige reposicionamento estratégico — explorar nichos de valor, integrar tecnologia e estratégia, ou migrar para áreas mais consultivas e híbridas.Segundo, explore as carreiras emergentes. Profissões ligadas à IA generativa, segurança de dados, sustentabilidade, economia circular, trabalho remoto internacional, plataformas digitais e saúde mental corporativa estão em crescimento. Mesmo para empresas fora do setor “tech”, essas áreas tornam-se cada vez mais transversais.Terceiro, amplie a mentalidade de carreira contínua (lifelong career) e a disposição para o aprendizado permanente. Em ambientes de constante transformação, o profissional deve pensar menos em “ficar na mesma função” e mais em “mover-se entre contextos, aprender continuamente e adaptar-se”. O futuro das carreiras pertence a quem faz do reskilling e do upskilling parte de sua rotina de desenvolvimento. As organizações, por sua vez, precisam criar ecossistemas de aprendizagem que apoiem essas movimentações e tornem o aprendizado parte da cultura.Em síntese, a combinação entre carreiras em extinção e oportunidades emergentes reforça a urgência de um olhar estratégico sobre talento — interno e externo — e de uma abordagem humana e inteligente na gestão dessas movimentações profissionais. O futuro do trabalho não será apenas sobre novas profissões, mas sobre novas maneiras de aprender, se adaptar e continuar relevante.
Referências
- Fórum Econômico Mundial. The Future of Jobs Report 2025.
- Deloitte. Global Human Capital Trends 2024.
- McKinsey & Company. Building Workforce Skills at Scale to Thrive in the Future of Work.
- Harvard Business Review. Reskilling in the Age of AI.
- PwC. Workforce of the Future: The Competing Forces Shaping 2030.
- KPMG. The Future of HR 2024: Rethinking What’s Possible.
- Fundação Dom Cabral. Tendências em Gestão de Pessoas e Liderança 2024.
- Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil). Relatório de Tendências do Trabalho no Brasil 2024.
- Reuters. Brazil Jobless Rate Hits Lowest Yearly Average Ever in 2024. (31 jan 2025).
- Reuters. Brazil Creates Fewer Formal Jobs than Expected in July. (27 ago 2025).
Este artigo contou com o suporte do Chat GPT 5 – Open AI para aprimoramento de linguagem e clareza. As ideias e o conteúdo resultante são de autoria e responsabilidade exclusiva da autora.



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