Papéis e Responsabilidades dos Conselheiros Consultivos nas Empresas Familiares
- Marcia Amorim
- 30 de nov. de 2025
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Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente – Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation – ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria – Grupo Adecco. Women Corporate Directors – WCD Member.

A consolidação das práticas de governança nas empresas familiares passa, inevitavelmente, pela atuação estruturada de um conselho consultivo maduro e funcional. Este colegiado cumpre um papel determinante: oferece direcionamento estratégico, disciplina no processo decisório, objetividade na análise de resultados e, acima de tudo, contribui para que a organização avance com equilíbrio entre tradição, legado e competitividade. No contexto familiar, marcado pela sobreposição entre laços afetivos e interesses empresariais, o conselheiro consultivo torna-se uma figura de conexão entre racionalidade técnica e sensibilidade humana — combinação indispensável para decisões que sustentem o longo prazo.
Os conselheiros consultivos atuam como guardiões da coerência estratégica. Eles avaliam o desempenho da gestão de forma contínua, estimulam análises baseadas em dados e influenciam a construção de cenários e alternativas. Conforme reforçado pelo IBGC, o papel do conselheiro envolve supervisão (acompanhamento criterioso, contínuo e independente das práticas e decisões da gestão), aconselhamento qualificado e direcionamento estratégico — sempre preservando princípios de ética, independência e diligência. O conselheiro consultivo não exerce autoridade executiva, mas impacta profundamente a qualidade das escolhas da empresa ao ampliar a visão e questionar premissas. Sua contribuição reside na capacidade de perguntar, provocar, orientar e traduzir temas complexos em decisões sustentáveis, respeitando o modelo de governança vigente e a maturidade da família empresária.
Um dos elementos mais desafiadores no ambiente familiar é a gestão da fronteira entre o que é emocional e o que é empresarial. Assim, os conselheiros consultivos também exercem um papel de moderação: ajudam a estruturar limites e a orientar a família na construção de mecanismos formais — como acordos de sócios, protocolos de família, regimentos e políticas internas — que reduzem subjetividades e promovem transparência. Publicações da Cambridge Family Enterprise Group reforçam que a presença de conselheiros externos qualificados é um dos fatores mais relevantes para reduzir riscos associados a conflitos familiares, sucessão mal estruturada e centralização excessiva de poder.
Outro eixo essencial de atuação é o acompanhamento do processo sucessório. Embora não tomem decisões isoladamente, os conselheiros influenciam o desenho dos critérios, a definição de etapas e a avaliação de potenciais sucessores, conforme melhores práticas observadas pela Fundação Dom Cabral e por estudos comparativos de consultorias internacionais. A contribuição está na orientação imparcial, na análise de competências e na preservação da longevidade do negócio, evitando transições improvisadas — um dos principais fatores de mortalidade das empresas familiares. Além disso, o conselho consultivo oferece suporte ao desenvolvimento e implantação de modelos de gestão, reforçando padrões de governança e impulsionando a adoção de métricas e rituais que aproximam a empresa das práticas observadas nos mercados mais competitivos.
Por fim, o papel do conselheiro consultivo está diretamente ligado ao desenvolvimento da cultura organizacional. Consultorias como Deloitte e PwC destacam que a presença de conselhos ativos, preparados e independentes gera melhor desempenho financeiro, maior capacidade de inovação e maior confiança de investidores, parceiros e instituições financeiras. Isso ocorre porque o conselho cria um ambiente de segurança psicológica para a gestão, amplia o repertório estratégico e fortalece o compromisso com a integridade, a transparência e o crescimento sustentável. Em síntese, os conselheiros consultivos são agentes de transformação: ajudam o negócio familiar a amadurecer, organizar-se, disciplinar processos e construir uma narrativa sólida de perenidade.
Referências
• IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Cadernos de Governança e Guias de Melhores Práticas.
• Cambridge Family Enterprise Group. Family Enterprise Best Practices.
• Fundação Dom Cabral. Estudos sobre Governança em Empresas Familiares.
• Deloitte. Global Family Business Survey.
• PwC. Family Business Survey.
• Harvard Business Review. Artigos sobre governança e conselhos consultivos.
• McKinsey & Company. Pesquisas sobre conselhos e desempenho organizacional.
• OECD – Principles of Corporate Governance.
A autora contou com o suporte do ChatGPT (modelo GPT-5, OpenAI) para aprimoramento de linguagem e clareza, sendo as ideias e o conteúdo resultante de autoria e responsabilidade exclusiva da autora Marcia Amorim.



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