O lado artesanal do Conselho Consultivo: como anda a sua habilidade para atuar como Conselheiro(a) Artesão(ã)?
- Marcia Amorim
- 28 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente – Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation (ICF). Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria – Grupo Adecco. Women Corporate Directors – WCD Member.
As empresas familiares, em sua trajetória de crescimento e profissionalização, frequentemente alcançam um ponto em que criar um colegiado consultivo deixa de ser apenas uma 'boa ideia' e passa a tornar‑se uma peça estratégica para seu futuro.
Nesse contexto, os conselheiros consultivos exercem funções — muitas vezes sutis, porém decisivas — e precisam assumir responsabilidades claras para que o impacto desejado se concretize.
Executivos, gestores, conselheiros ou familiares envolvidos no negócio devem refletir sobre quais são esses papéis e responsabilidades e como garantir que o conselho consultivo traga valor efetivo à empresa. Em primeiro lugar, cabe ao conselheiro consultivo contribuir para a visão estratégica da empresa familiar: participar no pensamento sobre onde o negócio deve estar daqui a cinco, dez ou quinze anos, considerando seu legado, sua cultura familiar, seu posicionamento competitivo e os desafios do ambiente. Esse papel exige equilíbrio: por um lado, o respeito pelos valores, história e património da família; por outro, a abertura para questionar paradigmas, sugerir mudanças, impulsionar inovação. Um conselheiro que apenas reforça o status‑quo dificilmente elevará a governança da empresa.
Além disso, cabe ao conselheiro consultivo exercer uma função de monitoramento e governança indireta: embora não detenha poderes estatutários de deliberação, ele atua como 'olho externo' — ajuda a acompanhar indicadores de desempenho, segurança de processos, aderência às políticas que se vão construindo, formalização de estruturas de tomada de decisão que separam claramente família‑propriedade‑gestão. Conforme reflexões da International Finance Corporation (IFC), é justamente essa separação e clareza que favorecem a continuidade e o crescimento das empresas familiares. Um terceiro papel combina o estratégico e o relacional: facilitar o diálogo e mediar a interface entre família, negócio e gestores. Empresas familiares carregam uma dimensão emocional inevitável: laços de sangue, pertencimento, história, valores, legado.
O conselheiro consultivo atua como ponte entre essas dinâmicas e a lógica do negócio, ajudando a preparar sucessores, a desenvolver competências na nova geração, a gerir conflitos, a evitar que temas familiares tomem decisões empresariais ou que o negócio se torne refém de dinâmicas familiares. Um conselho consultivo bem operante contribui para essa mediação de forma relevante. Estudos mostram que boards ou conselhos bem estruturados oferecem não apenas aconselhamento técnico, mas também uma 'zona de escuta' neutra para a família e a empresa.
Por fim, ao aceitar o papel de conselheiro consultivo numa empresa familiar, é preciso estar consciente de responsabilidades específicas que esse ambiente exige. Entre elas: compreender a interseção família‑propriedade‑negócio; apoiar na construção do regimento ou termo de funcionamento do conselho consultivo; atuar com independência, mas com empatia pelo contexto familiar; contribuir para o planejamento sucessório e sua efetiva operacionalização; avaliar potenciais riscos de formalização tardia ou de falta de critérios claros de ingresso de novas gerações; promover a cultura de governança e transparência na empresa — presença, preparo, questionamento com respeito, sugestão construtiva, não imposição.
Em resumo, os papéis e responsabilidades dos conselheiros consultivos em empresas familiares permitem escalar a governança do negócio, transformar bons valores familiares em desempenho sustentável e garantir que a próxima geração assuma com competência, sem perder de vista o legado. E como cada família empresária tem o seu jeito próprio de ser...Estamos falando de um trabalho singular. Um trabalho artesanal que só a sensibilidade presente nos artesãos é capaz de produzir.
Para o leitor — executivo, gestor, candidato a conselheiro, conselheiro em atividade ou membro de empresa familiar — vale o exercício contínuo: quais desses papéis estou desempenhando com clareza? E que responsabilidades ainda preciso reforçar em mim ou na organização para que o conselho consultivo seja uma alavanca real de governança e valor?
Referências
- International Finance Corporation (IFC). Family Business Governance Handbook. Fourth Edition. 2018.
- International Finance Corporation (IFC). Family Business Governance. Disponível em seu site.
- Advisory Board Centre. What Are Advisory Boards – Roles & Responsibilities? Jan/2025.
- BBH Capital Partners. The benefits of a family business advisory board. Abril/2025.
- Effective Governance. The value of a board of advisers for family business.
Declaração: A autora contou com o suporte do ChatGPT (modelo GPT-5, OpenAI) para aprimoramento de linguagem e clareza. As ideias e o conteúdo resultante são de autoria e responsabilidade exclusiva da autora.



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