Escuta ativa como uma competência distintiva. Como anda a sua?
- Marcia Amorim
- 3 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente - Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation - ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria - Grupo Adecco. Women Corporate Directors - WCD Member.

No ambiente corporativo, onde vínculos pessoais e profissionais se entrelaçam, a prática da escuta ativa emerge como um diferencial essencial — não apenas por permitir ouvir com atenção, mas por possibilitar compreender com profundidade.
Escutar ativamente significa posicionar-se de forma consciente no diálogo, captando tanto o que é dito quanto o que se omite — as entrelinhas, os sentidos implícitos e os sinais não verbais. Nesse contexto, para quem busca desenvolvimento profissional e uma carreira marcada por relações saudáveis e produtivas, compreender o que é escuta ativa e como aplicá-la de fato torna-se parte de um repertório essencial.
A escuta ativa tem impacto direto sobre a qualidade das relações, das decisões e, consequentemente, na criação de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Em reuniões ou nas interações entre equipes, a atenção plena à fala do outro permite identificar “necessidades não expressas” e promover uma cultura de confiança e colaboração (Directors Institute). Essa abordagem possui aplicação estratégica nas organizações: pesquisadores da área destacam que a escuta ativa implica atitude, habilidade e oportunidade de conversar — e que gestores com essas qualidades elevam o suporte percebido por suas equipes (PMC).
Mas afinal, o que torna uma escuta genuinamente ativa? E como podemos promovê-la no dia a dia, de modo que cada interação resulte em percepções positivas e melhores resultados?
Há diversos elementos que definem uma escuta ativa eficaz, e é importante conhecê-los para cultivá-los de forma consciente:
1. Presença plena (be present) – Estar verdadeiramente no momento da conversa, sem distrações ou multitarefas, evitando já pensar na resposta enquanto o outro fala (Savvy Director Prep).
2. Suspensão de julgamentos (withhold judgment) – Ouvir antes de avaliar, evitando interromper ou formular suposições precipitadas. Isso abre espaço para que o interlocutor se sinta livre para expressar-se sem barreiras (Center for Creative Leadership – CCL).
3. Empatia e curiosidade genuína (empathy & curiosity) – Demonstrar interesse autêntico pelo que está sendo dito; questionar com cuidado, perguntando “o que” e “como” em vez de “por que” num tom acusador. A capacidade de ouvir com empatia é reconhecida pelo World Economic Forum como competência estratégica para o futuro do trabalho (Human Resource Services).
4. Reflexão e recapitulação (reflect & summarise) – Para confirmar que você compreendeu bem o que foi dito, devolva ao interlocutor, em suas próprias palavras, e permita que ele complemente ou corrija. Expressões como “O que estou ouvindo é…” funcionam como marcadores de compreensão (CCL).
5. Clarificação (clarify & ask open-ended questions) – Quando algo estiver ambíguo ou implícito, faça perguntas para trazer à tona o que não foi dito explicitamente. Essa ação valida o interlocutor e fortalece o diálogo (BoardEffect).
6. Observação da comunicação não verbal (non-verbal cues) – O tom de voz, as pausas, as expressões faciais e a postura corporal complementam o conteúdo das palavras. Ignorar esses sinais reduz a profundidade da escuta (SpecialtyCare).
7. Espaço para silêncio e reflexão (creating space) – Deixar pausas e permitir que o interlocutor organize o pensamento. Interromper continuamente elimina parte do potencial da escuta ativa (CCL).
8. Comprometimento com a ação (follow-through) – Ouvir não basta: a escuta ativa gera implicações, constrói confiança e exige desdobramentos. Ouvir sem agir pode gerar frustração e descrédito (Institute of Project Management).
Para quem ocupa cargos de liderança e precisa exercer influência de modo positivo e multilateral, aplicar a escuta ativa não é apenas uma habilidade desejável — é um elemento estratégico de cultura, inovação e desenvolvimento de equipes de alto desempenho.
Algumas práticas úteis incluem: observar quem não fala em reuniões, estimular diferentes vozes, reservar momentos individuais de check-in para ouvir percepções e pontos de vista, evitar distrações em contextos híbridos ou remotos e promover treinamentos sobre escuta ativa. Uma cultura organizacional baseada nesse princípio fortalece a segurança psicológica (psychological safety), condição essencial para a inovação e o desempenho sustentável.
Ter foco no desenvolvimento da escuta ativa gera resultados concretos, pois:
· Aumenta a confiança entre os participantes: quando os interlocutores percebem que são ouvidos, sentem-se valorizados e isso eleva o engajamento (BoardEffect).
· Melhora a qualidade das decisões: ouvir permite identificar pontos ocultos e antecipar riscos (Directors Institute).
· Reduz conflitos e mal-entendidos: a escuta ativa ajuda a detectar percepções equivocadas antes que se transformem em disputas (SpecialtyCare).
· Fortalece o posicionamento profissional: quem escuta de verdade demonstra maturidade, presença e influência — características valorizadas nas organizações que promovem resultados consistentes e sustentáveis.
Em síntese, escutar verdadeiramente é mais do que uma competência distintiva: é uma demonstração de respeito e de inteligência relacional. É por meio dela que se constroem relações saudáveis, produtivas e orientadas a resultados duradouros. Profissionais que escutam com empatia e intenção genuína de compreender criam ambientes de trabalho mais humanos, colaborativos e eficazes — e tornam-se, inevitavelmente, referências positivas dentro das organizações.
Referências
- StatPearls. Active Listening. NCBI Bookshelf, 2023.
- Director Prep. Listening Skills for Influence in the Boardroom. Savvy Director Prep, 2022.
- Human Resource Services (WSU). Empathy and Active Listening – Essential Skills for the Future of Work, 2021.
- Center for Creative Leadership (CCL). Active Listening: Using Listening Skills to Coach Others, 2022.
- Training ABC. The Power of Active Listening in the Workplace, 2023.
- BoardEffect. Clarify and Ask Open-Ended Questions to Improve Dialogue, 2022.
- SpecialtyCare. Non-Verbal Communication and Listening Effectiveness, 2023.
- Institute of Project Management. Follow-Through as the Final Step in Active Listening, 2023.
- Harvard Law School – Forum on Corporate Governance. Establishing Norms for Director Behavior to Enhance Board Culture and Effectiveness, 2021.
Este artigo contou com o suporte do ChatGPT (modelo GPT-5, OpenAI) para aprimoramento de linguagem e clareza. As ideias e o conteúdo resultante são de autoria e responsabilidade exclusiva da autora.



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