Competências x mercado de trabalho x transformação.
- Marcia Amorim
- 18 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente – Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation – ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria – Grupo Adecco.

O mundo do trabalho está atravessando uma das transformações mais intensas das últimas décadas. As mudanças tecnológicas, sociais e econômicas vêm redesenhando a forma como as pessoas trabalham, aprendem e constroem suas carreiras. Segundo o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial, cerca de 44% das habilidades exigidas hoje serão diferentes até 2030, resultado direto da automação, da inteligência artificial e da reconfiguração dos modelos de negócio. Esse dado, por si só, já sinaliza a urgência de desenvolver novas competências que ultrapassam o domínio técnico e incorporam dimensões comportamentais, cognitivas e socioemocionais.
A Harvard Business Review tem enfatizado que, embora o avanço da tecnologia demande profissionais familiarizados com dados, algoritmos e ferramentas digitais, o diferencial humano continuará a residir em competências como pensamento crítico, empatia, criatividade e comunicação. Em um mundo cada vez mais automatizado, o que torna o profissional relevante é sua capacidade de combinar inteligência analítica e inteligência emocional — traduzindo informações complexas em decisões estratégicas e liderando pessoas em contextos de incerteza.
Relatórios da Deloitte e da McKinsey reforçam essa perspectiva. A Deloitte, em seu estudo Human Capital Trends 2024, destaca que a adaptabilidade se tornou a “nova competência-base” das organizações modernas. Já a McKinsey identifica um grupo de 56 competências essenciais distribuídas em quatro grandes blocos: pensamento cognitivo, autoliderança, colaboração interpessoal e navegação digital. Entre elas, destacam-se o aprendizado contínuo (lifelong learning), a curiosidade intelectual e a habilidade de atuar de forma colaborativa em ecossistemas diversos.
No contexto brasileiro, a Fundação Dom Cabral e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil) observam que as empresas vêm valorizando a capacidade de autogestão e o protagonismo de carreira. Em um mercado que passa a exigir mais autonomia e menos supervisão direta, o profissional que assume a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento diferencia-se de maneira significativa. A habilidade de aprender rapidamente, desaprender o que se tornou obsoleto e reaprender novas formas de fazer é hoje um dos pilares do sucesso profissional.
Além das competências comportamentais, há um conjunto de habilidades técnicas emergentes que não podem ser negligenciadas. De acordo com a PwC e a KPMG, o domínio de dados e o letramento digital se tornaram competências transversais a praticamente todas as áreas. Mesmo funções tradicionais, como finanças, marketing e operações, requerem familiaridade com ferramentas analíticas, inteligência artificial generativa e plataformas colaborativas globais. A capacidade de trabalhar em ambientes híbridos e multiculturais também figura entre as mais demandadas, em especial por empresas que adotam modelos de trabalho flexíveis e equipes distribuídas internacionalmente.
Um ponto recorrente nas análises das grandes consultorias é a importância das competências éticas e da responsabilidade social. O mercado exige profissionais capazes de equilibrar performance e propósito, conscientes dos impactos ambientais e sociais de suas decisões. A Deloitte chama essa competência de human sustainability (sustentabilidade humana), indicando que as organizações do futuro serão aquelas que colocarem as pessoas no centro das estratégias de negócio.
As competências que sempre sustentaram o sucesso profissional continuam não se restringindo a um rol fixo de habilidades técnicas. Elas continuam envolvendo a construção de uma mentalidade de crescimento, a busca contínua por aprendizado e a capacidade de liderar em meio à complexidade, e agora com muito mais relevância. Como sintetiza a Harvard University em seus programas de Future of Work (Futuro do Trabalho), o profissional do futuro será aquele que aprenderá a aprender, integrando tecnologia e humanidade para gerar valor de forma ética, criativa e sustentável.
Referências
Fórum Econômico Mundial. The Future of Jobs Report 2025.
Deloitte. Global Human Capital Trends 2024.
McKinsey & Company. Defining the Skills Citizens Will Need in the Future World of Work.
Harvard Business Review. The Skills Leaders Need in the Age of AI.
PwC. Workforce of the Future: The Competing Forces Shaping 2030.
KPMG. The Future of HR 2024: Rethinking What’s Possible.
Fundação Dom Cabral. Tendências em Gestão de Pessoas e Liderança 2024.
Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Brasil). Relatório de Tendências do Trabalho no Brasil 2024.
Este artigo contou com o suporte do Chat GPT 5 – Open AI para aprimoramento de linguagem e clareza. As ideias e o conteúdo resultante são de autoria e responsabilidade exclusiva da autora.



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