Como são definidos os membros do Conselho de Família, do Conselho de Sócios e do Conselho Consultivo nas empresas familiares?
- Marcia Amorim
- 8 de nov. de 2025
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Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente - Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation (Federação Internacional de Coaching) - ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria - Grupo Adecco. Women Corporate Directors - WCD Member.
A consolidação de estruturas de governança em empresas familiares passa, necessariamente, pela clareza sobre a composição e o papel dos órgãos responsáveis por harmonizar as dimensões da família, da propriedade e do negócio. Nessa perspectiva, a definição dos membros do Conselho de Família, do Conselho de Sócios e do Conselho Consultivo não é um ato isolado ou meramente formal, mas um movimento estratégico que influencia diretamente a qualidade das decisões, a convivência familiar, a preservação do patrimônio e a continuidade do legado ao longo das gerações.
O Conselho de Família é a instância que organiza a relação entre os membros da família empresária. Seu foco está na preservação dos valores, na coesão entre gerações e na construção de uma visão de futuro compartilhada. A escolha de seus membros costuma ser feita entre os próprios familiares, com critérios definidos no Protocolo Familiar. É desejável que haja diversidade geracional, representatividade entre núcleos familiares, disponibilidade para participação ativa e capacidade de diálogo. Em famílias maiores, a eleição interna com mandatos definidos favorece renovação e inclusão. Esse Conselho promove espaços estruturados de conversa, programas de formação de herdeiros, rituais de convivência e alinhamento de expectativas. O número ideal de membros costuma variar entre cinco e nove.
O Conselho de Sócios é o fórum que organiza a esfera da propriedade. Seus membros devem ser sócios ou acionistas, pois tratam de decisões relacionadas ao patrimônio, tais como política de dividendos, aportes de capital, sucessão acionária e acordos societários. A seleção considera comprometimento com o interesse coletivo e capacidade de compreender o papel do proprietário, distinto do papel do gestor. Em muitas organizações, o desenvolvimento de futuros sócios inclui trilhas formativas estruturadas. O estabelecimento de mandatos contribui para evitar concentração de poder e estimular a pluralidade. O número mais comum varia de três a sete integrantes, dependendo da composição societária.
O Conselho Consultivo representa o domínio do negócio. Sua composição deve priorizar a presença de membros externos experientes, capazes de oferecer visão independente, estratégica e crítica. A escolha ocorre com base nas competências necessárias ao momento da empresa: experiência em gestão, estratégia, expansão, sucessão ou inovação. A participação de membros da família ou dos sócios é possível, desde que estes estejam preparados para atuar em benefício do todo e não de interesses individuais. Mandatos periódicos favorecem dinamismo e atualização. O número recomendado costuma ser de três a cinco membros externos, podendo incluir um ou dois integrantes da família ou dos sócios conforme o estágio de maturidade da governança.
Quadro comparativo:
Conselho | Papel Principal | Quem Participa | Número Ideal | Processo de Escolha |
Conselho de Família | Promover coesão, valores e visão da família empresária | Membros da família empresária | 5 a 9 | Seleção interna ou eleição entre familiares |
Conselho de Sócios | Deliberar sobre propriedade e patrimônio | Sócios ou acionistas | 3 a 7 | Escolha entre sócios preparados; mandatos recomendados |
Conselho Consultivo | Apoiar a gestão com visão estratégica e independente | Maioria de membros externos | 3 a 5 externos (podendo incluir 1–2 internos) | Seleção por competências; pode envolver executive search |
A definição dos membros de cada um desses conselhos deve ser guiada pela clareza de propósito, maturidade das relações e visão de longo prazo. O Conselho de Família preserva pertencimento e identidade. O Conselho de Sócios garante disciplina patrimonial e alinhamento de interesses. O Conselho Consultivo fortalece o pensamento estratégico e a capacidade decisória da gestão. Quando atuam de forma coordenada, essas instâncias promovem harmonia, desenvolvimento de lideranças, sustentabilidade econômica e longevidade do empreendimento.
Referências:
- IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Cadernos de Governança em Empresas Familiares.
- Fundação Dom Cabral – Núcleo de Governança e Sucessão Familiar.
- Cambridge Family Enterprise Group. “The Three-Circle Model of the Family Business System”.
- Deloitte. “Family-Owned Business: Governance and succession planning”.
- PwC. “Global Family Business Survey”.



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