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Como aprimorar o modelo de gestão e governança dos negócios administrados por famílias empresárias?

  • Marcia Amorim
  • há 17 horas
  • 3 min de leitura

Marcia Amorim é Conselheira de Administração Certificada pelo IBGC. Presidente do Conselho Consultivo do Grupo São Vicente – Rede Supermercadista do Estado de São Paulo. Coach de Executivos credenciada pela International Coaching Federation – ICF. Consultora Associada à Lee Hecht Harrison Consultoria – Grupo Adecco. Women Corporate Directors – WCD Member.



À medida que os negócios administrados

por famílias empresárias evoluem em porte, complexidade e exposição a riscos, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de instâncias que qualifiquem o processo decisório e apoiem os sócios e executivos na condução estratégica do negócio. Nesse contexto, o conselho consultivo assume um papel singular, cuja efetividade está diretamente relacionada à clareza dos papéis e das responsabilidades de seus membros. O conselheiro consultivo não substitui o gestor, não delibera como um conselho de administração estatutário e tampouco atua como representante de interesses individuais ou familiares. Sua contribuição reside na capacidade de provocar reflexões, ampliar perspectivas e apoiar decisões que preservem e ampliem o valor da organização no longo prazo.

Um dos papéis mais relevantes do conselheiro consultivo é fortalecer a qualidade das decisões estratégicas. Empresas familiares, por sua própria natureza, carregam uma história rica, marcada por valores, vínculos emocionais e relações de confiança que foram fundamentais para sua construção. Ao mesmo tempo, esses elementos podem influenciar decisões de forma excessivamente subjetiva. O conselheiro consultivo contribui ao introduzir análises estruturadas, comparações com práticas de mercado e questionamentos que ajudam a separar o que é emoção do que é estratégia. A Harvard Business Review destaca que conselhos com diversidade de experiências e independência de pensamento tendem a apoiar decisões mais consistentes, especialmente em ambientes de incerteza e mudança acelerada.

O apoio à reflexão estratégica de médio e longo prazo também integra as responsabilidades do conselheiro consultivo. Ainda que não seja responsável pela execução, espera-se que contribua para a definição de direcionadores estratégicos, avaliando cenários, riscos e oportunidades, bem como tendências econômicas, tecnológicas e setoriais. Estudos da McKinsey e do Boston Consulting Group indicam que organizações que contam com fóruns estruturados de aconselhamento estratégico apresentam maior capacidade de adaptação e resiliência.

O estímulo ao aprimoramento do modelo de gestão figura entre as responsabilidades centrais do conselheiro consultivo. Ao interagir com a equipe executiva, o conselheiro contribui para o fortalecimento de práticas de meritocracia, definição clara de papéis, adoção de indicadores de desempenho e desenvolvimento de lideranças. Em empresas familiares, onde membros da família frequentemente ocupam posições executivas, essa atuação ajuda a diferenciar os papéis de sócio, familiar e gestor.

A contribuição para o amadurecimento das práticas de governança corporativa também se destaca. Mesmo sem poder deliberativo formal, o conselho consultivo atua como indutor da adoção de políticas, processos e rituais alinhados a princípios como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, conforme os Principles of Corporate Governance da OECD.

A dimensão relacional integra o papel do conselheiro consultivo. Ao lidar com sócios, familiares e executivos, espera-se postura de escuta ativa, respeito às diferentes visões e habilidade para contribuir com um diálogo construtivo, prevenindo conflitos que possam comprometer o desempenho do negócio ou a harmonia familiar.

A responsabilidade ética é um pilar inegociável da atuação do conselheiro consultivo. Diligência, lealdade, independência de pensamento e adequada gestão de conflitos de interesse são atributos indispensáveis, conforme ressaltado pelo Fórum Econômico Mundial.

O exercício do papel de conselheiro consultivo exige preparo técnico, dedicação e atualização contínua. Publicações da KPMG e do IBGC indicam que conselhos mais efetivos são aqueles cujos membros compreendem claramente seus papéis, participam ativamente das discussões e atuam de forma colaborativa.

Assim, os papéis e responsabilidades dos conselheiros consultivos nas empresas familiares extrapolam o aconselhamento pontual. Quando exercidos com clareza, ética e visão estratégica, tornam-se determinantes para o fortalecimento da governança e para a perenidade dos negócios familiares.


Referências

IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa.

OECD. Principles of Corporate Governance.

Harvard Business Review. Artigos sobre advisory boards e governança corporativa.

McKinsey & Company. Publicações sobre conselhos e estratégia.

Boston Consulting Group. Estudos sobre governança corporativa.

Fundação Dom Cabral. Pesquisas sobre empresas familiares.

KPMG. Relatórios sobre efetividade de conselhos.

Fórum Econômico Mundial. Relatórios sobre ética e governança corporativa.

 
 
 

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